Como trabalhar a seletividade alimentar no autismo

Dra Camila Garcia

Dra Camila Garcia

Seletividade alimentar e autismo caminham juntos na maioria dos casos. É muito comum a criança autista ser seletiva e recusar os alimentos. Por isso exige da mãe muita paciência, conhecimento e dedicação para lidar com a situação e superar.

A seletividade é um distúrbio alimentar no qual a criança recusa um grande número de alimentos. Seja por falta de apetite ou desinteresse pelos alimentos.

Um dos fatores que desencadeia a seletividade alimentar na criança com transtorno do espectro autista é o processamento sensorial irregular. 

Esses casos demoram mais para serem superados. Mesmo assim, a mãe da criança com autismo também quer que o filho se alimente bem e de forma saudável. 

Veja também: Alergias na introdução alimentar

Por que o autista é seletivo

Frequentemente, a criança autista apresenta seletividade alimentar. Isso se deve à sensibilidade sensorial da audição, visão, olfato, paladar e toque.

Seletiva, ela apresenta aversão, no caso dos alimentos, a textura, cor, sabor, forma, temperatura e cheiro.

O transtorno do espectro autista é caracterizado por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Como é evidente desde os primeiros anos de vida, ele afeta diretamente as crianças.

Elas têm dificuldades inclusive de ficar na mesa durante a refeição. Assim, a criança seletiva se sente desconfortável com tantos estímulos.

A ajuda de um fonoaudiólogo e um nutricionista nesses casos é muito importante. Quanto antes a família procurar esse profissional, melhor, pois quanto mais a criança cresce, mais difícil fica de superar. 

Além disso, sem tratamento, essa seletividade pode comprometer o desenvolvimento e o crescimento, com déficit nutricional no organismo do autista.

Veja também: como lidar como a seletividade alimentar

Seletividade e autismo: como superar

A seletividade é agravada em crianças autistas, mas existem maneiras de lidar com a situação e incentivar a criança a comer. À princípio, respeitar o tempo de cada uma é o primeiro passo.

Confira algumas dicas:

  • Apresentar os alimentos: antes de a criança com autismo comer o alimento, ela deve conhecê-lo. Para isso, você deve apresentar aos alimentos em outros momentos, como na feira ou no supermercado.

Também pode mostrar nos desenhos animados e histórias, inclusive em desenhos para pintar ou brincar, e pedindo ajuda para preparar as comidas. Essa forma lúdica de expor a criança ao alimento é fundamental para ela conhecer e adquirir segurança.

  • Colocar na mesa: aos poucos comece a pôr o alimento na mesa. No início, explique que ele não precisa comer. Ele pode primeiro tocar, numa próxima vez experimentar até aceitar comer. Tudo no tempo dele.
  • Insistir, mas não forçar: mesmo que a criança não coma, não desista. Continue oferecendo sempre, de diferentes formas e preparações.
  • Ter paciência: isso é fundamental. Não vai ser da noite para o dia que a criança autista vai começar a aceitar melhor e comer os alimentos. Será um trabalho diário e você precisará de muita dedicação e tempo.

Papel da família é muito importante

  • Não rotule: não coloque rótulos na criança seletiva, como exemplo, dizendo “Ela é chata para comer” ou “Ele não gosta de banana”. Isso só vai piorar a situação e vai fazer com que a própria criança acredite nesses rótulos.
  • Seja exemplo e coma junto: é muito importante a família toda se empenhar em ajudar o autista a se alimentar melhor. Assim, se inclui também ser exemplo e comer juntos os alimentos que ela recusa. 

Nunca deixe a criança sentada sozinha na mesa, falam refeições agradáveis e em família. Mostre o que você está comendo.

Varie os alimentos e as receitas.

  • Procure ajuda: apesar de todo empenho e dedicação, ajuda profissional vai auxiliar ainda mais. Ele vai ensinar estratégias direcionadas a criança que, certamente, poderá acelerar a aceitação dos alimentos.

Não basta seguir uma ação, mas todas

Essas são as principais dicas para superar a seletividade alimentar em crianças com autismo. Como eu disse no início, é um trabalho que leva tempo, não acontece de um dia para o outro.

Do mesmo modo, não adianta escolher uma dica e esperar uma mudança. Trata-se de um conjunto de atitudes que você deve ter. E não deixe de procurar ajuda profissional se necessário. 

Criança seletiva, seja autista ou não, não come se você a deixar sem comer para depois ela comer mais. Também não vai resolver você substituir. Se ela não quer arroz e feijão você não deve oferecer uma fruta ou um leite.

Também não adianta comer apenas um tipo de alimento. Ela só come macarrão, então vamos oferecer macarrão todo dia. Nada disso vai solucionar o problema. 

A seletividade é um agravante comum dos autistas. A mãe tem que ter mais paciência e vai precisar de mais tempo, porque a criança autista demora mais para aprender. 

Tem que ser um trabalho diário em casa como qualquer outra criança, mas vai levar um pouco mais de tempo.

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