Meu filho rejeita os alimentos: Como lidar com a Seletividade Alimentar?

Dra Camila Garcia

Dra Camila Garcia

Meu filho rejeita os alimentos: Como lidar com a Seletividade Alimentar?

Meu filho rejeita os alimentos e agora o que eu faço? O que pode ser?

Essa é uma das principais reclamações que eu recebo das mães que me acompanham.

Ah… essa criança não come nada! – dizem elas.


A queixa geralmente é de crianças que já estão bem avançadas na Introdução Alimentar, por volta de 2 anos ou mais.

Nesta idade essas crianças começam a “escolher” os alimentos que querem comer.

Você deve saber, ou pelo menos imaginar, que essas escolhas não são muito confiáveis.

O que eu quero dizer com isso?

Simples, dificilmente o seu filho vai escolher por conta própria alimentos saudáveis se ele não se acostumou com este tipo de comida desde cedo.

Mas disso falaremos mais à frente, ok?

Muitas crianças nesta idade podem realmente apresentar o que nós chamamos de Seletividade Alimentar.

E é sobre isso que vamos falar neste artigo. O que é, como evitar e o que fazer se seu filho já se tornou uma criança seletiva.

O que é Seletividade Alimentar?

Menina negando vegetais, na mesa com as mãos nos olhos.

“Seu filho rejeita os alimentos porque é mimado”

“É fase. Criança é assim mesmo”

“Dá um remedinho para abrir o apetite”

Essas são frases que os pais de crianças seletivas ouvem ou até mesmo falam habitualmente.

Para que você entenda melhor, a Seletividade Alimentar Infantil é quando a criança recusa alguns ou muito alimentos.

Ou quando têm preferências alimentares muito restritas.

A criança que tem Seletividade Alimentar não se sente motivada a comer determinados alimentos, tem pouco apetite e baixo interesse pelas comidinhas.

Ela é quem escolhe o cardápio e pode não ser receptiva com novidades.

É mais perceptível em crianças a partir de 2 aninhos e bastante comum em crianças em idade pré-escolar.

Porém, pode acompanhar a pessoa até a adolescência e idade adulta se não houver uma atenção em relação a isso.

É comum a criança seletiva ser considerada “chata para comer”.

Algumas pessoas acham que essas crianças não comem porque os pais não têm pulso firme ou algo do tipo.

A verdade é que a criança com seletividade alimentar geralmente não desenvolveu o processamento sensorial para aceitar determinados alimentos.

Vou te explicar melhor.

O processamento sensorial é o responsável por organizar o significado das sensações, seja um toque, um sabor, um cheiro etc.

Muitas vezes a resistência da criança com determinado alimento é resultado da insuficiência de contato com o alimento em questão, impossibilitando a criação de uma boa relação com a comida.

Como eu sempre digo, quando o seu bebê nasce ele é um livro em branco.

Ele não conhece nada, tudo deve ser apresentado por você para que ele crie memórias e registre o que é cada coisa.

Esse processo acontece também com os alimentos em suas diversas formas.

Ou seja, faz diferença se a criança vai comer a cenoura cozida, ralada ou amassadinha. Cada forma como lhe é apresentada é um registro.

A criança seletiva que rejeita a cenoura cozida mas aceita a cenoura ralada demonstra que não tem uma boa relação com o alimento nessa textura.

Isso significa que o cérebro não identifica aí uma fonte prazerosa de alimentação.

Quando isso acontece apenas com um alimento os pais nem se preocupam muito.

O problema fica evidente quando um grupo inteiro de alimentos fica de fora do cardápio.

Aí a coisa fica séria!

Como identificar a Seletividade Alimentar?

Como identificar a Seletividade Alimentar?

O sinal mais evidente da Seletividade Alimentar é justamente quando seu filho rejeita os alimentos.

Se a criança não come é um sinal forte de que ela é seletiva.

Muita gente acredita que é normal criança não comer. É óbvio que o seu filho terá preferências alimentares.

Mas a questão é que as crianças ainda estão desenvolvendo o paladar e isso precisa ficar muito claro em sua mente.

Não cometa o erro de desistir de oferecer o alimento porque seu filho não gosta de comê-lo.

Vai existir sim uma coisa ou outra que o seu filho não vai gostar muito de comer.

No entanto, você pode continuar incentivando-o a comer todos os tipos de alimentos saudáveis.

Até mesmo aqueles que ele já demonstrou não gostar muito. Coloque sempre no prato porque os gostos também mudam.

Aqui em casa por exemplo, eu ofereci goiaba para a Juju e ela não gostou muito. Mas de vez em quando eu ofereço do mesmo jeito.

Até porque essas coisas são temporárias, daqui a pouco ela pode acostumar e passar a comer.

Você não deve forçar o seu filho a comer o que ele não quer mas também não deve se conformar com a situação.

Muitas mães acabam aceitando os gostos da criança e vão deixando elas comerem só o que querem. É aí que a seletividade vai se agravando.

Geralmente a preocupação só surge quando a recusa alimentar aumenta.

Mas você não precisa esperar chegar nesse ponto.

Sinais de Seletividade Alimentar Infantil

Se o seu filho rejeita os alimentos é importante ficar atento aos sinais da seletividade alimentar.

Vamos ver as principais características:

  • Possui um cardápio restrito de alimentos;
  • Podem aceitar uma textura e recusar outra no mesmo alimento;
  • Às vezes toleram que o alimento esteja no prato;
  • Às vezes podem aceitar experimentá-los;
  • Podem mudar repentinamente de gostos alimentares (comia e agora não come mais, ou o contrário);
  • Podem escolher um grupo de alimentos para comer durante um tempo;

A seletividade se manifesta de maneiras específicas em cada criança.

A criança seletiva pode rejeitar um cheiro, um sabor específico, uma textura, uma cor ou algum tipo específico de alimento.

Exemplo: algumas crianças não toleram alimentos sólidos, preferem sempre os líquidos ou pastosos.

Para perceber os sinais da seletividade é preciso observar atentamente o seu filho.

Consequências da Seletividade Alimentar!

A seletividade em si não causa grandes danos à saúde da criança.

O problema realmente é que ela é uma porta aberta para outros problemas e esses sim podem ser prejudiciais à saúde do seu filho.

Por isso ela precisa ser combatida o quanto antes.

A seletividade alimentar pode parecer algo inofensivo, mas pode desencadear:

  • Desnutrição;
  • Perda de peso;
  • Carência de vitaminas e nutrientes específicos;
  • Mau relacionamento com a comida;
  • Transtornos alimentares;
  • Obesidade;
  • Etc.

A seletividade infantil prejudica a construção de bons hábitos alimentares que serão levados para a vida toda.

Os danos são incalculáveis se pensarmos assim.

Um adulto viciado em doce, por exemplo, poderia ter outra história se tivesse bons hábitos desde pequeno.

A longo prazo, isso pode levá-lo a obesidade, diabetes e outras tantas consequências.

Mas claro que isso não é culpa dos pais.

A falta de conscientização sobre os alimentos ainda é muito forte em nosso país.

A alimentação na infância tem um papel educativo.

É algo tão importante que pode influenciar até mesmo na forma como nos relacionamos com o mundo e com as pessoas.

Como evitar a Seletividade?

Como evitar a Seletividade Alimentar com a Introdução Alimentar?

A melhor coisa a se fazer a respeito da seletividade é não esperar ela se tornar um problema.

A prevenção é o melhor caminho e começa exatamente na Introdução Alimentar.

Se você ainda está começando a oferecer alimentos sólidos para o seu bebê, esse é o melhor momento para agir.

Você pode estar se perguntando: Como eu faço para que meu filho não se torne uma criança seletiva?

Eu sei que o sonho de toda mãe é ver seu filho comendo de tudo.

Existe um jeito? Me arrisco a dizer que existe.

Eu diria que o melhor caminho para evitar que seu filho crie rejeição aos alimentos é caprichar na Introdução Alimentar.

Eu sempre digo que a fase da Introdução Alimentar é a fase em que você vai criar hábitos alimentares saudáveis para o seu bebê que ele levará para a vida toda.

É a fase em que ele deve aprender sobre os alimentos e criar uma boa relação com as comidinhas.

A fase da Introdução Alimentar é justamente o momento em que você vai mostrar a comida sem preocupação se seu filho vai comer ou não.

A intenção é que ele tenha esse contato, se ele não comer você pode oferecer novamente em outro momento.

E é assim que você vai construindo o paladar do seu filho.

Estude o assunto para conhecer as boas práticas.

Muitas mães não têm o apoio necessário para passar por essa fase e acabam se rendendo às dicas da internet, palpites de outras mães e o excesso de informação pode acabar atrapalhando mais do que ajudando.

Quer ver exemplos de erros que você pode estar cometendo?

Veja só…

Se nesta fase você oferece sucos ou chás adoçados para o bebê ele pode desenvolver preferência por tudo o que é doce, caracterizando uma seletividade.

Se toda vez que a criança não quiser comer você substituir as refeições pelo leitinho ela pode se tornar seletiva, preferindo tudo o que é líquido ou pastoso.

Esses são só alguns, alimentação infantil é um tema extenso e cheio de mitos que precisam ser combatidos.

Se quiser saber tudo sobre Introdução Alimentar leia este artigo que eu escrevi sobre o tema.

E o que fazer se meu filho já é seletivo?

O que fazer se meu filho é seletivo? Mãe e menina voltando da feira com sacola cheia de verduras

Bom, mas e se meu filho rejeita os alimentos e já demonstra ser uma criança seletiva, o que eu faço?

Antes de tudo saiba que nem tudo está perdido, uma criança seletiva pode começar a aceitar os alimentos.

Crianças com seletividade alimentar precisam dos estímulos corretos para aprenderem a gostar, ou pelo menos tolerar os alimentos que rejeitam.

Esteja atenta aos sinais de seletividade e procure ajuda de um profissional, de preferência um nutricionista especializado, que possa orientá-la sobre como estimular o seu filho a comer melhor.

Vou deixar aqui algumas orientações que servem para aumentar o interesse das crianças pelos alimentos.

A criança deve ter contato com os alimentos.

A criança deve ter contato com os alimentos.

Quando digo contato estou falando não só de você cozinhar e colocar no prato. Este, na verdade, é o último passo.

Mesmo que a criança não goste e não vá comer determinado alimento naquele momento é importante que ela tenha contato com a comida.

Poder pegar, sentir o cheiro, conhecer aquela textura ajuda muito a construir uma boa relação com a comida:

  • Crie brincadeiras que envolvam os alimentos;
  • Leve seu filho com você quando for comprá-los na feira ou no mercado e mostre para ele;
  • Se possível, envolva seu filho na construção da lista de compras das comidas;
  • De vez em quando, tente envolver seu filho na preparação da refeição, na medida do possível;
  • Dê o exemplo comendo os alimentos que você deseja que ele coma;
  • Tente tornar o momento das refeições algo prazeroso para o seu filho;
  • Refeições em família ajudam muito a criar boas memórias;

Seu filho rejeita os alimentos? Não desista

Como já falamos muitos pais acabam aceitando o querer do filho passivamente, colocam no prato só o que ele está disposto a comer.

Esse é o momento em que ele assume o controle e a seletividade ganha espaço.

Não pode ser assim,você precisa insistir em pelo menos mostrar os alimentos a ele.

Veja bem, não estou falando em forçar seu filho a comer, mas em não desistir.

Coloque a comida no prato e ofereça ao seu filho, se ele não comer dessa vez espere outra oportunidade e ofereça novamente.

E continue oferecendo, pode ser que ele nunca vá gostar daquele alimento, mas vai pelo menos tolerar.

Coloque no prato e siga as orientações, tente mudar a apresentação do alimento de vez em quando.

Uma coisa importante de se observar quando o seu filho rejeita os alimentos é o fator comportamental.

Ou seja, como a sua família se comporta e que hábitos ela compartilha?

Fica aí a reflexão.

No mais eu digo a você para não desistir.

Observe que comer em si é o último passo, primeiro mostre os alimentos, incentive o contato com a comida, apresente a textura e só depois ofereça como refeição.

Comer é uma coisa que começa em nossa mente.

Conclusão

Bom, hoje nós falamos sobre seletividade alimentar e o que fazer quando seu filho rejeita os alimentos.

A melhor maneira de lidar com a seletividade é evitando que ela se desenvolva. E como podemos fazer isso?

Praticando uma Introdução Alimentar correta, com diversidade de alimentos saudáveis, tomando todos os cuidados para que a criança aprenda sobre a comida.

Quando os bebês são pequenininhos, apesar das “caretinhas” que eles fazem quando não gostam de alguma coisa, ainda não conseguem escolher o que querem comer.

Isso acaba sendo mais fácil do que lidar com uma criança seletiva que já sabe o que quer e o que não quer.

A partir dos 2 aninhos, por exemplo, muitos bebês começam a apresentar sinais de seletividade.

Essa é uma idade que muitas vezes pode ser crítica, mas também é a idade perfeita para combater essa dificuldade antes que evolua.

É muito importante investir na construção de uma boa relação entre o seu bebê e os alimentos.

Criar hábitos alimentares saudáveis evitará diversas doenças durante toda a vida do seu filho.

Eu recomendo que você leia mais sobre o assunto e veja o quanto é importante investir em uma boa Introdução Alimentar.

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8 respostas

  1. Olá tudo bem vcs poderiam criar um grupo de maes com filhos seletivos tenho meu filho de cinco anos e desde os 2 anos e meio ele e seletivo,sofro muito com isso todos os dias e uma luta!

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